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Refluxo gastroesofágico – alimentação inadequada, obesidade e tabagismo pioram o problema

08/27/2013
Prodiet Medical Nutrition

O refluxo é uma condição na qual há um retorno anormal de conteúdo (alimentos, ácido, bile) proveniente do estômago, de forma a irritar e provocar danos no esôfago. “Se for crônico e recorrente, passa a ser a doença do refluxo gastroesofágico”, explica Sérgio Alexandre Liblik, gastroenterologista e professor-assistente do curso de Medicina da PUC/PR. De acordo com o médico, ganho de peso (pois predispõe à formação da hérnia de hiato), tabagismo, alguns alimentos e medicamentos podem ser fatores agravantes do refluxo. “Por outro lado, algumas pessoas magras também têm refluxo e esta tendência poderia ser herdada, logo, deve se tomar cuidado em não generalizar as causas do refluxo e buscar individualizar esta abordagem”, pondera.

Segundo Liblik, costuma-se dividir os sintomas de refluxo em dois grandes grupos: Sintomas típicos – a pirose (sensação de queimação atrás do peito, que pode ser chamada de azia por algumas pessoas) e a regurgitação ácida (sensação de volta de conteúdo proveniente do estômago), que tornam o diagnóstico fácil. “Porém, há sintomas atípicos, como dor torácica (que pode ser confundida com dor cardíaca), asma, tosse crônica, bronquite e pneumonias de repetição, rouquidão, pigarro, laringites, sinusites crônicas, dores de ouvido, mau hálito, aftas, entre outras. Nestes casos, é necessária uma investigação que permita afirmar se há relação entre o sintoma e o refluxo como causa”, recomenda.

Apesar de não tão comum, o médico explica que cerca de 15% dos pacientes com sintomas crônicos podem evoluir para complicações, entre elas, uma alteração nas células normais do esôfago que se transformam em células chamadas metaplásicas (esôfago de Barrett). “Quando isto ocorre, o risco de câncer aumenta de 30 a 125 vezes comparado com a população que não tem a metaplasia. Logo, o câncer esofágico pode estar associado ao refluxo crônico”, alerta Liblik.

Diagnóstico e tratamento – O diagnóstico, segundo Liblik, é habitualmente clínico. “Uma boa conversa com o médico permite o diagnóstico correto na maior parte dos casos. O exame endoscópico é uma ferramenta muito importante no diagnóstico, pois permite avaliar o grau de danos no esôfago e ajuda na escolha do tratamento mais adequado. Em casos crônicos ou atípicos, temos outros tipos de exames que avaliam a acidez e capacidade de contração muscular (motilidade) do esôfago, o que pode ser útil no tratamento, que consiste nas abordagens comportamentais e na abordagem medicamentosa, uma vez que vários medicamentos disponíveis no mercado podem bloquear o excesso de acidez e/ou proteger a mucosa do esôfago”, explica. Em casos recorrentes, completa o médico, o tratamento cirúrgico é uma alternativa ao uso crônico de medicamentos.

Alimentação e cuidados – Todos os pacientes com refluxo deveriam buscar mudanças na alimentação. “Deve-se moderar a ingestão de alimentos gordurosos, café, chá preto, cítricos, bebidas alcoólicas, menta, hortelã, produtos à base de tomate e chocolate. A redução de peso em obesos é fundamental, bem como a suspensão do tabagismo e, em alguns casos, sugere-se a elevação da cabeceira da cama em cerca de 15cm. Por fim, alguns remédios para dor, para osteoporose, para a pressão alta, para asma, podem piorar o quadro, e é necessário avisar ao médico se está usando estas medicações”, finaliza.

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