A cirurgia bariátrica está crescendo cada vez mais quando se fala em tratamento de escolha na obesidade grave. O Brasil já é o segundo país que mais realiza esse tipo de procedimento cirúrgico. Logo após a cirurgia, o paciente submetido perde muito peso, sendo que essa perda dura de um a dois anos, dependendo do peso inicial e das mudanças e hábitos após a cirurgia.
Nesse período, o paciente também está mais empolgado com o tratamento, com as mudanças estéticas e comportamentais as quais estimulam as transformações alimentares e de estilo de vida. Após esse período, alguns pacientes ganham em torno de 10% do peso perdido, o que é considerado normal, mas de 10 a 15% desses pacientes voltam a ganhar toda a gordura perdida após a redução de estômago. Muitos estudos, atualmente, vêm se dedicando nessas estatísticas e em quais intervenções devem ser tomadas para que isso não ocorra.
O reganho de peso, como é chamado o ganho de peso após a cirurgia bariátrica, pode estar ligado a vários fatores, dentre eles estão:
1 – A não adesão ao tratamento nutricional, ou seja, o paciente não mantem o plano alimentar adquirido após a cirurgia e volta a se alimentar de forma errada, com alimentos hipercalóricos e, muitas vezes, com intervalos longos entre as refeições;
2 – A diminuição na ingestão de proteínas e aumento na ingestão de carboidratos simples, como bolachas, biscoitos, bolos, entre outros, muitas vezes devido à dificuldade na mastigação das proteínas e muitas vezes pela preferência a esses tipos de alimentos;
3 – A não ingestão de suplemento proteico, o qual está ligado à melhora na composição corporal e manutenção de massa muscular. Trabalhos científicos demonstram que pacientes que ingerem o suplemento hiperproteico nos primeiros seis meses de pós-operatório apresentam uma melhora na composição corporal, ou seja, preservação da massa muscular desde o início do tratamento, sendo que o aumento de massa muscular após a cirurgia bariátrica está ligada a manutenção do peso a longo prazo;
4 A falta de praticar atividade física também está ligada a não estabilização do peso à longo prazo, o exercício auxilia tanto na queima de gordura quanto no ganho de massa muscular;
5 – O consumo de bebidas alcóolicas, as quais são extremamente calóricas, bem como prejudicam a absorção de vitaminas importantes, sendo que alguns pacientes deixam de se alimentar adequadamente para consumir álcool, uma vez que um dos hábitos que devem ser modificados após a cirurgia é nunca tomar líquidos durante as refeições, para evitar vômitos;
6 – Os transtornos alimentares, alguns pacientes podem apresentar depressão, ansiedade e compulsão alimentar os quais podem favorecer o reganho de peso;
7 – Outro ponto é o abandono do paciente nas consultas com a equipe multidisciplinar, que devem ser frequentes para que o mesmo sempre seja estimulado às mudanças de hábitos.
Todos esses fatos mostram que o tratamento da obesidade grave com a cirurgia bariátrica, como qualquer outro tratamento para a obesidade, devem ser estimulados as mudanças comportamentais, o estilo de vida e os hábitos alimentares do paciente, sendo o tratamento com a equipe multidisciplinar contínuo com a frequência individualizada para cada necessidade.